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Plutónio: “A minha música é adaptada à minha realidade”


Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

O panorama musical em Portugal tem ganho cada vez mais diversidade. Novos cantores, novos flows, influenciados pelos artistas já firmados ou simplesmente por novas vibes. Têm emergido novos artistas quase mensalmente que disponibilizam as suas músicas em todas as plataformas digitais possíveis, de forma a chegar ao maior número de pessoas. No YouTube, o contador de visualizações não pára de girar e depressa se atingem números astronómicos.

Por outro lado, há artistas que lutam uma vida inteira e só após muita batalha são reconhecidos tanto pela sua personalidade como pelo seu talento. Falamos de Plutonio, um dos nomes mais procurados para subir em palcos de norte a sul de Portugal. O rapper  encontra-se neste momento a trabalhar no próximo álbum e, em conversa com a BANTUMEN, falou um pouco sobre o processo de gravação, da irmandade do grupo Bridgetown e o amor pela rua de onde veio.

De Moçambique para o bairro Cruz Vermelha, Cascais, em Portugal, para mundo, é assim que se deve caracterizar a música de Plutonio, que se traduz numa mistura entre o rap, RnB e uma pitada de África e a sua sonoridade.

“COM O TEMPO A RELAÇÃO COM ÁFRICA TEM SE FORTIFICADO”

Em 2013, lançou Histórias da Minha Life, o primeiro álbum de originais ao qual teve um bom feedback por parte do público luso. O público africano é por vezes mais difícil de conquistar e a exigência parece ser maior. Mas para Plutonio “com o tempo, a relação com África tem se fortificado, estamos a preparar uma ida a Angola, e em Moçambique o contacto tem sido maior”.

Mas a música não é apenas feita do que se ouve ou presencia, é feita de valores, educação e atitude. Começa primeiro em casa com a educação que os pais dão e depois na rua, onde  a postura é outra devido à luta constante para mostrar o que se vale. É uma questão de auto-defesa e respeito uns pelos outros, que é isso que Plutónio quer mostrar, a música que faz é adaptada à sua realidade e isso é visível nos temas “3AM” e “Preciso de um Tempo”. “São dois temas em que retrato muito bem isso, a minha vida pessoal e a minha vida num outro ambiente, a do bairro”, diz Plutónio.

Como já foi referido acima, a música do rapper é uma mistura. Não é só rap, é mais do que isso, são melodias, consequência do que ouvia em casa, pela sua mãe e irmãos mais velhos, maioritariamente música africana. O rap chegou mais tarde na vida de Plutónio. Foi algo que o próprio foi à procura, encontrou e até hoje algo que faz muito sentido no seu quotidiano.

“PARA FORA DO BAIRRO QUERO LEVAR AS MINHAS EXPERIÊNCIAS E TRAZER DE VOLTA TUDO O QUE DE BOM CONSEGUIR”

Quando ouvimos aquela famosa frase “tu podes sair do bairro, mas o bairro não sai de ti” parece mais do mesmo ou cliché, mas quanto para Plutonio, o bairro Cruz Vermelha deu-lhe muitas boas recordações como más vivências e experiências. “Para fora do bairro quero levar as minhas experiências e trazer de volta tudo o que de bom conseguir”, afirma explicando que quer importar e exportar mais que música.

A música permitiu-lhe ter outro estatuto no bairro, o principal para conseguir mudar  mentalidades e mostrar aos miúdos que o sonho é possivel e que todos podem conseguir o que sempre desejaram. É importante manter essa ideia dentro do bairro, “mesmo que não saibas para onde vais, é necessário saber de onde vens”, remata Plutonio.

Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

Mas o sucesso não é feito apenas por uma pessoa, existe uma equipa por trás. Neste caso em específico, a Bridgetown, que surge num culminar de luta, trabalho e superação. É um grupo que toma as decisões em conjunto, onde existe uma evolução constante através de conversas e troca de ideias.

O contrato de Plutónio com a Sony não veio alterar nada do que já fazia, apenas veio reforçar a ideia que tem de trabalhar mais e melhor, sempre. “Quando faço música, não penso num certo target ou rádio. A fórmula de trabalho é a mesma de sempre, só depois de estar finalizada penso se se adequa a essas plataformas ou algo do género. A ideia é fazer tudo sem perder a genuinidade e identidade”.

Foto: Miguel Roque / BANTUMEN

A sua música faz já faz parte da playlist de muitos portugueses e PALOPs, e Plutónio começou a perceber que tem ajudado a dinamizar o mercado musical e alterar o panorama musical, ao estar presente em plataformas onde não se viam antes rappers e negros.

O álbum ainda está a ser trabalhado, “3am”, “Preciso de um tempo” e “Não Vales Nada” são temas que fazem parte do EP. Sem data de lançamento, Plutonio quer melhorar a qualidade das músicas que segundo ele: “ainda não estão ao meu nível de exigência”. É necessário que as coisas fluam no estúdio para depois apresentar ao público um álbum que supere o anterior.

A sonoridade será mescla, terá de tudo e um pouco, uma mistura que terá parecenças com o álbum “Preto e Vermelho”, mas melhorado e com uma qualidade superior, desde letras, melodias, beats, até a própria qualidade de gravação.

NÃO SINTO NECESSIDADE DE TER DE FAZER MUSICAS COM OUTROS ARTISTAS, APESAR DE GOSTAR E RESPEITAR, QUERO ME EXPLORAR MAIS A MIM MESMO.

Plutonio conclui que: primeiro quer que exista uma evolução pessoal e dar o melhor de si a cada faixa. Com o tempo quer aprender mais, explorar mais com outras músicas e instrumentos. “Não sinto necessidade de ter de fazer músicas com outros artistas, apesar de gostar e respeitar, quero me explorar mais a mim mesmo.”



Fonte: BANTUMEN



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